• Alfenas, 02/07/2026
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Merice Lacerda

Lula não é de esquerda, Michele Bolsonaro renega a direita e Vini Jr. mostra que o novo sempre vem

Política e futebol no país do carnaval

Imagem da Internet
Lula não é de esquerda, Michele Bolsonaro renega a direita e Vini Jr. mostra que o novo sempre vem Bandeira do Brasil

A recente declaração do presidente Lula em solo europeu, afirmando não ser um homem de esquerda, causou perplexidade em muitos, mas carrega uma incontestável verdade histórica. Como já bem observaram figuras ligadas à trajetória do presidente, como José Dirceu, Lula nunca correspondeu ao estereótipo do esquerdista tradicional das décadas de 70 e 80 - o estudante intelectualizado e de discurso ideológico contra o regime militar.

Lula era o operário metalúrgico, pragmático e focado em conquistas paupáveis: o direito à sindicalização, o salário justo, a casa própria e o automóvel. Sua raiz é a do trabalhador que busca a dignidade material do capitalismo e a sua aproximação com a esquerda clássica se deu pelas pautas comuns de sobrevivência e direitos trabalhistas. É o mesmo Lula de sempre, pragmático e negociador.

Contudo, se a essência do líder é moderada, é imperativo reconhecer que sua consolidação política só foi possível graças à "esquerda gorda". Foi a fusão do pragmatismo sindical de Lula com o ecossistema da esquerda tradicional e suas bandeiras históricas como o feminismo, a proteção social, as cotas e os direitos das minorias que expandiu o movimento e conferiu a densidade necessária para transformar o líder operário em um chefe de Estado global. Lula cresceu nos braços dessa pluralidade progressista e renegar essa identidade em público soa como um malabarismo retórico que ignora a base que sustenta seu projeto de poder.

Enquanto a esquerda lida com suas ambiguidades discursivas, a direita expõe suas fraturas em praça pública. O recente vídeo da ex- primeira dama, que soou como um contra-ataque à extrema direita, revela um cálculo de sobrevivência política. Alvo de desgaste contínuo alimentado por setores radicais e por seus próprios enteados - diante de um Jair Bolsonaro visivelmente sem controle sobre os rumos da própria família - Michele optou por lavar a roupa suja em público. Ao tentar se blindar de novas acusações diante do iminente risco de reversão da prisão domiciliar do marido por episódio envolvendo arma, ela antecipa o golpe. É uma manobra de autodefesa para proteger sua imagem, mas também um posicionamento estratégico: deslocar-se da ala mais radical e autodestrutiva do clã.

Esse cenário de canibalismo político desenha um horizonte preocupante para o país. Ver figuras envolvidas em escândalos e discurso de ódio manterem expressivas votações acende um alerta sobre a saúde cívica de uma sociedade que flerta com o retrocesso. Há um tom tenebroso e doentio na insistência coletiva por caminhos que priorizam o conflito de aparências em detrimento do debate público sério. A política institucionalizada no Brasil de hoje projeta sombras incertas sobre o futuro.

É fora do palanque político que vem o refresco, ironicamente nos pés e na postura de um jovem. No atual momento, a Copa do Mundo serve de palco para a consolidação de Vini Jr. Forjado a ferro e fogo nos campos racistas da Europa, Vini demonstra nos gramados da Copa um equilíbrio emocional e qualidade técnica, imune às pressões que costumam ruir atletas de sua idade. Vini caminha a passos largos rumo ao topo do futebol mundial com uma resiliência exemplar.

Ele se torna o símbolo perfeito de que, apesar das velhas estruturas que teimam em ruir o país, o novo sempre vem, forte, focado e irresistível.

Assim como no futebol, o Brasil quer e precisa de novos talentos como o de Vini Jr. na política.




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