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Tirou a lactose e continua estufado? O vilão pode ser outro

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Tirou a lactose e continua estufado? O vilão pode ser outro




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Muitas pessoas retiram a lactose da dieta e continuam com gases, estufamento e desconforto abdominal. Nesses casos, o problema pode não ser o açúcar do leite, mas uma proteína chamada beta-caseína A1 – um tema que tem ganhado espaço na ciência e na prática clínica.


A intolerância à lactose é amplamente conhecida e costuma ser a primeira suspeita quando surgem sintomas digestivos após o consumo de leite. No entanto, nem sempre a retirada da lactose resolve o problema. Isso tem levado à investigação de outros componentes do leite que podem influenciar a digestão.


Entre eles, destaca-se a beta-caseína, uma das principais proteínas do leite. Existem diferentes variantes dessa proteína, sendo as mais conhecidas a A1 e a A2. Essa diferença, embora pequena do ponto de vista molecular, pode impactar a forma como o organismo processa o alimento.


Quando o problema não é lactose


É cada vez mais comum observar pacientes que substituem o leite comum por versões sem lactose e, ainda assim, mantêm sintomas como inchaço abdominal, gases e desconforto intestinal.


Nesses casos, uma das hipóteses é a sensibilidade à beta-caseína A1. Durante a digestão dessa proteína, pode ocorrer a liberação de um peptídeo chamado BCM-7 (beta-casomorfina-7), que tem sido estudado por sua possível ação no trato gastrointestinal.


Embora o tema ainda esteja em investigação, alguns estudos sugerem que o BCM-7 pode influenciar a motilidade intestinal e contribuir para sintomas digestivos em pessoas sensíveis.


Isso ajuda a explicar por que alguns indivíduos relatam melhor tolerância ao leite A2, que contém apenas a variante A2 da beta-caseína.


Leite A1 x leite A2: o que muda na prática


A diferença entre os leites A1 e A2 está em um único aminoácido na estrutura da proteína, mas essa variação altera a forma como ela é digerida.


O leite A1, mais comum na maioria dos rebanhos, pode gerar o peptídeo BCM-7 durante a digestão. Já o leite A2 tende a ser digerido de forma diferente, sem a formação desse composto na mesma intensidade.


Alguns estudos clínicos, embora ainda limitados, mostram que indivíduos com desconforto digestivo associado ao consumo de leite podem apresentar melhora dos sintomas ao consumir leite A2, em comparação ao leite convencional.


No entanto, é importante destacar que essa evidência ainda não é definitiva e não se aplica a todos os casos.


Leite A2 não é solução universal


A troca para leite A2 pode ajudar algumas pessoas, especialmente aquelas que não apresentam intolerância à lactose, mas relatam desconforto persistente com o leite comum.


Por outro lado, em casos de alergia à proteína do leite de vaca – condição imunológica mais grave –, a substituição por leite A2 não resolve o problema, já que a proteína continua presente.


Também é importante diferenciar intolerância à lactose de sensibilidade alimentar. Enquanto a intolerância envolve dificuldade de digestão do açúcar do leite, a sensibilidade pode estar relacionada a proteínas ou outros componentes.


Antes de excluir alimentos da dieta ou fazer substituições, o ideal é buscar avaliação médica ou nutricional. O diagnóstico correto evita restrições desnecessárias e orienta escolhas mais adequadas.


O leite continua sendo um alimento nutricionalmente relevante para muitas pessoas. Entender como o organismo responde a ele – e quais componentes podem estar envolvidos nos sintomas – é fundamental para fazer escolhas mais conscientes.


Aline Becker – CRN: 23101433 | RQE: 055.512

Nutrição e Educação Física

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