Merice Lacerda
Receita da Palmirinha de privatização ao molho cara de pau
Ideal para CEMIG, com adaptações serve a Copasa, Correios, Rodovias e afins.
Cartaz usado no comércio para apagõesReceita da Palmirinha de privatização ao molho cara de pau
Ideal para CEMIG,com adaptações serve a Copasa, Correios, Rodovias e afins.
Você vai precisar dos seguintes ingredientes:
Eleitor desinformado: ingrediente fácil, você encontra com abundância na natureza.
Político cara de pau: você também encontra fácil na natureza, mas atenção,prefira aqueles com velho discurso que funciona. “Vamos privatizar,não vamos deixar nenhuma agulha pra esquerda roubar”.
Empresa estatal apetitosa: prefira aquelas que dão água na boca, que a população vai chiar mais vai pagar porque não tem como ficar sem o serviço como transporte, água e energia.
Modo de preparo:
Ganhe a eleição.Indique os aliados sangue suga para a estatal. Faça a seguinte divisão de verbas: dois pra mim (mim mesmo) e um pra você(estatal). Misture a massa. Espere até que o serviço prestado à população esteja pra lá de ruim e espalhe intrigas. Convença as pessoas de que a única solução é privatizar. Chame os amigos empresários e se disponibilize para ser o sócio oculto no negócio(no mínimo). Faça alguns conchavos com deputados também sangue suga (você vai precisar deles, infelizmente). Não se esqueça de acrescentar na propina o quite básico de sobrevivência, tipo gerador de energia. Pronto.
Para assar:
Depende do forno. Se você tiver lenha pra queimar, assa em quatro anos. Se o fogo for baixo, pode ser que você tenha que esperar o próximo mandato para colocar no forno. Nesse caso, garanta que sua quantidade de propina seja mantida.
Para servir:
Sirva quente. Mas não fique por perto para ver a reação das pessoas, pode ser que fique muito salgado. No ápice da receita, a população degustará os ingredientes da própria horta: se antes da privatização havia um apagão por mês, a partir de então haverá cinco. Não se preocupe: o importante é que não haverá ninguém pra reclamar. No afã de abafar a propina, você provavelmente esqueceu de ler o contrato e nele estava previsto trinta anos de calvário pros eleitores desinformados. Por fim, no lugar do manjar dos deuses prometido, sirva o grude, bem grudento mesmo pra que eles comam de boquinha fechada.
Merice Lacerda
Advogada em Alfenase escritora.
Cozinheira meia-boca.



COMENTÁRIOS