Merice Lacerda
Operação Contenção no RJ: a polícia encurralada, encurralou
A culpa é de quem?
Corpos encontrados por moradores -Operação ContornoAs incursões das forças de segurança nas favelas do Rio de Janeiro já foram temas de novela, portanto romantizadas, de filmes, com finalidade de serem impactantes.
Mas, fala sério, a ficção nunca deu conta da realidade.
Tudo começou, mesmo que se diga que foi fruto de planejamento de meses, com as papagaiadas do senador Flávio Bolsonaro ao comentar a postagem do Secretário de Guerra dos EUA, Pate Hegseth com o seguinte teor:
“Hoje, sob ordens do Presidente Trump, o Departamento de Guerra realizou mais um ataque cinético letal contra uma embarcação operada por uma Organização Terrorista Designada (OTD). Mais uma vez, os terroristas, agora mortos, estavam envolvidos com narcotráfico no Pacífico Oriental.”
Em seguida, Flávio Bolsonaro, escreveu:
“Que inveja!
Ouvi dizer que existem barcos como este aqui no Rio de Janeiro, na Baía de Guanabara, inundando o Brasil com drogas.Você não gostaria de passar alguns meses aqui nos ajudando a combater essas organizações terroristas?”
O governador entendeu o tamanho da encrenca caso um barquinho com prefixo RJ fosse avistado pelas forças de segurança dos EUA. Nada a ver inundar o Brasil com droga, esta parte da frase ele nem viu.
No meio do caminho havia uma pedra. E a pedra era a retomada do controle de território em locais de rota para a região portuária.
Então, foi montada uma operação (de guerra) para retomada de território. Não foi para cumprir mandados e nem para prender armas e drogas.
Cada um faz o seu cálculo. O governador fez o dele e a polícia também.
A polícia encurralada, encurralou. O cálculo da polícia foi o seguinte: montar uma estratégia para morrer menos e se precisar, matar mais, e principalmente, não precisar voltar depois em operações menores com menos contingente e menos armas, correndo mais riscos de baixas.
O resultado foi o inevitável, pavoroso.
Como cantou o Renato Russo, a culpa é de quem? A culpa é de quem?
É do governador que envia sua polícia para guerra? É da polícia escaldada? É dos que recebem a polícia com armas na mão? É da sociedade que assiste inerte a essa nova onda de barbáries, como se estivéssemos na Idade Média?
Mais fácil mesmo será acompanhar o julgamento dos responsáveis diretos.
Mesmo que não pareça, nesse momento, haverá. Não no tribunal da internet, mas em um tribunal de verdade.
Hitler não passou, Bibi não passará, e a chacina do Rio de Janeiro, também não passará em branco.
Independente da opinião de cada um, o que houve no Rio de Janeiro, foi de fato uma tragédia social à moda brasileira.
Por Merice Lacerda
Advogada em Alfenas e escritora



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