Trump recebe Xi com honras de Estado em contraste com tratamento dado a Lula
O presidente da China, Xi Jinping, chega aos Estados Unidos nesta quarta-feira (23) para uma visita de Estado de três dias e será recebido pessoalmente pelo presidente Donald Trump ainda na noite de hoje, na Base Conjunta Andrews, em Maryland.
Exatamente isso, Xi receberá uma recepção excepcional, inclusive com Trump indo pessoalmente ao aeroporto, algo raro no protocolo presidencial americano.
Na quinta-feira, o líder chinês será recebido com honras de Estado na Casa Branca, com cerimônia formal, participação de centenas de militares, revista militar, execução dos hinos nacionais e uma demonstração aérea com um bombardeiro B-2 Spirit e quatro caças F-22 Raptor. À noite, haverá jantar de Estado.
O tratamento chama atenção também pelo contraste com a forma como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido quando esteve em Washington, em maio.
Lula teve uma agenda de trabalho muito mais discreta. O presidente brasileiro se reuniu com Trump na Casa Branca, mas não houve recepção presidencial no aeroporto, cerimônia militar, demonstração aérea ou jantar de Estado.
Formalmente, as duas visitas têm classificações diferentes: Xi chega aos Estados Unidos para uma visita de Estado, enquanto Lula esteve em Washington para uma reunião de trabalho. Essa diferença explica parte do protocolo. Ainda assim, o contraste é evidente: os dois líderes estão sendo recebidos de maneiras muito diferentes pela administração Trump.
E essa diferença ganha ainda mais peso diante do atual momento das relações entre Brasil e Estados Unidos, marcado nos últimos meses por divergências comerciais e episódios de tensão diplomática.
Agora, enquanto o presidente brasileiro teve uma passagem muito mais discreta pela Casa Branca, o presidente da China – principal concorrente estratégico dos Estados Unidos em áreas como comércio, tecnologia e influência global – recebe uma das mais altas demonstrações de deferência diplomática reservadas a um chefe de Estado estrangeiro.
A visita, no entanto, vai muito além do simbolismo da recepção. Trump e Xi terão na quinta-feira a principal rodada de conversas da viagem, com uma agenda concentrada em alguns dos temas mais estratégicos e sensíveis da relação entre Washington e Pequim.
Comércio e tarifas estão entre os assuntos centrais. Os dois países ainda administram uma trégua comercial que expira em novembro, enquanto Washington busca ampliar o acesso de empresas americanas ao mercado chinês e Pequim pressiona pela redução das restrições dos Estados Unidos ao acesso chinês a tecnologias avançadas.
Outro ponto estratégico são os minerais de terras raras. A China ocupa posição dominante no processamento desses materiais, essenciais para setores como tecnologia, energia, veículos elétricos e defesa, e o tema se tornou uma das principais cartas de negociação de Pequim nas discussões comerciais com Washington.
Inteligência artificial e semicondutores também estarão no centro das conversas. Estados Unidos e China disputam a liderança mundial no desenvolvimento de inteligência artificial, ao mesmo tempo em que Washington mantém restrições sobre a transferência para empresas chinesas de determinados chips e tecnologias consideradas estratégicas.
Na apuração desta coluna sobre os assuntos preparados para as conversas desta semana com diversas fontes na capital americana, a situação de cidadãos americanos detidos na China também aparece entre os temas que Washington pretende levar à mesa.
Pequim, por sua vez, deve voltar a apresentar suas posições sobre Taiwan, uma das questões mais sensíveis de toda a relação bilateral. A China considera Taiwan parte de seu território, enquanto os Estados Unidos mantêm relações não oficiais com a ilha e continuam sendo seu principal fornecedor de armamentos.
A situação envolvendo o Irã é outro assunto que acompanha a agenda entre os dois governos. China e Estados Unidos já discutiram o tema durante o encontro entre Trump e Xi realizado em maio, em Pequim, e Washington acompanha de perto as relações comerciais e energéticas mantidas pelo governo chinês com Teerã.
Apesar da forte competição entre as duas potências, Trump e Xi vêm tentando manter abertos os canais de diálogo. O encontro desta semana é o segundo entre os dois presidentes em poucos meses e ocorre justamente em um momento em que Washington e Pequim tentam impedir que disputas comerciais, tecnológicas e geopolíticas avancem para uma nova escalada.
A agenda diplomática também será acompanhada por uma demonstração do peso econômico da relação. O jantar de Estado de quinta-feira deve reunir alguns dos principais nomes da tecnologia e das finanças americanas, num momento em que empresas dos dois países acompanham de perto qualquer sinal de avanço nas negociações.
Xi Jinping permanece nos Estados Unidos até sexta-feira. Pela manhã, Trump e Melania voltarão a receber Xi e Peng Liyuan na Casa Branca para um encontro com chá no Red Room. Depois, os dois casais seguem para o National Archives, em Washington, onde verão documentos históricos relacionados às relações entre Estados Unidos e China. A despedida oficial do presidente chinês está prevista para acontecer no local.





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