Dia dos Avós: O médico que sou, o avô que me tornei
Há mais de quarenta anos recebo pacientes no consultório. Antes, eles chegavam com uma lista de sintomas. Hoje, muitas vezes chegam também com uma lista de diagnósticos feitos na internet e receitas encontradas nas redes sociais. Sou de uma geração de médicos que aprendeu que ciência não é opinião. Ciência é método, estudo, evidência e tempo. Nunca troquei conhecimento por modismos, e certamente não será agora que vou começar.
Mas, há pouco mais de 5 anos, aconteceu algo que nenhum livro de medicina foi capaz de me ensinar: tornei-me avô. Leonardo Salim e Beatriz chegaram juntos, como só os gêmeos sabem chegar, e trouxeram uma pergunta para a qual não existe resposta pronta: que tipo de avô um médico deve ser? Percebi que essas duas missões se encontram muito mais do que eu imaginava. Tanto a medicina quanto a convivência com os netos exigem paciência para ensinar, serenidade para ouvir, coragem para dizer “não” quando necessário e, sobretudo, responsabilidade para proteger. Cuidar nunca foi escolher o caminho mais fácil. Sempre foi escolher o caminho certo.
Quando ouço falar do suplemento milagroso, do chá que promete curar tudo ou do tratamento que viralizou na internet, meu olhar de médico e meu coração de avô apontam para a mesma direção. Não penso apenas nos meus pacientes. Penso também nas duas crianças que quero ver crescer com saúde, espírito crítico e confiança naquilo que realmente foi comprovado.
Hoje percebo que a responsabilidade que assumi ao vestir o jaleco se estende, de maneira silenciosa e muito mais profunda, até as brincadeiras no quintal, os abraços inesperados e as incontáveis perguntas que Leonardo Salim e Beatriz fazem todos os dias. Cada vacina em dia, cada consulta preventiva, cada orientação baseada em evidências, cada explicação paciente sobre o que funciona e o que não funciona é, para mim, uma forma de demonstrar amor.
A medicina me ensinou que proteger a saúde exige conhecimento. A convivência com os meus netos me mostrou que esse conhecimento só faz sentido quando é colocado a serviço de quem amamos.
Neste Dia dos Avós, deixo uma reflexão que vale tanto para a família quanto para a vida. Amar também é proteger. É resistir às soluções fáceis, às promessas milagrosas e aos atalhos que parecem sedutores, mas não resistem à ciência nem ao tempo.
Meus netos ainda são pequenos para compreender tudo isso. Talvez levem muitos anos para entender por que o avô insiste tanto em fazer perguntas, conferir evidências e desconfiar das soluções simples demais. Mas espero que, quando esse dia chegar, eles saibam que cada paciente que cuidei com dedicação e cada conselho que lhes dei nasceram exatamente do mesmo lugar: o desejo profundo de cuidar da vida.
De verdade eu descobri que existe algo ainda mais bonito do que exercer a medicina durante toda uma vida: ter dois netos que nos lembram, todos os dias, por que vale tanto a pena continuar cuidando das pessoas.
Dr. Alfredo Salim Helito – CRM/SP 43163 | RQE 132808
Clínica Médica
Head nacional de Clínica Médica da Brazil Health






COMENTÁRIOS