‘Pirataria’, diz Lula sobre Trump cobrar por passagem no Estreito de Ormuz
O presidente Lula (PT) afirmou nesta segunda-feira (13) que a atitude sugerida por Donald Trump de cobrar 20% dos navios que passarem pelo Estreito de Ormuz é pirataria.
O americano declarou mais cedo que os Estados Unidos tomariam o controle da passagem e que cobrariam uma espécie de pedágio das embarcações por garantir a segurança do local.
Em visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, Lula disse que a prática é pirataria. “Hoje, ele [Trump] fez um tuíte dizendo que vai desobstruir o Estreito de Ormuz, dizendo que vai desobstruir, mas cada navio, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele”, disse inicialmente.
Antigamente, isso se chamava pirataria, um estado importante como os EUA, por muito tempo combateu a pirataria, não volte agora a virar pirata, não tem que cobrar, é da responsabilidade deles, não estava fechado, não foi o Brasil que inventou a guerra, com o Irã. Foi ele [Trump] que inventou essa guerraLula
O presidente também disse que a justificativa para os EUA terem iniciado a guerra, de que o Irã estaria produzindo armas nucleares, é mentira.
Ele [Irã] iria enriquecer urânio para fins científicos, como no Brasil. Da mesma forma que inventaram que o Saddam Hussein tinha armas químicas, e foram lá destruir o Iraque. Cadê as armas químicas? Foi em 2004. Já fazem 22 anos. Agora o Irã não tinha arma nuclear nem tinha competência para fazer.Lula
Lula continuou o discurso dizendo que, por causa da guerra, houve aumento de preços no Brasil, e que o valor dos combustíveis só não está maior pelos impostos cobrados sobre o combustível exportado pelo país.
Declaração de Trump
“Vamos assumir o controle do Estreito de Ormuz”, declarou Trump. Segundo o presidente, os Estados Unidos atuarão como “guardiões do estreito” e “serão pagos por tomar conta” da passagem estratégica. Ele também afirmou que o Irã “deveria reembolsar” os custos dessa operação, sem fornecer detalhes sobre como isso ocorreria. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) classificou como “arrogantes” as declarações do republicano.
A cobrança de taxas para a travessia de Ormuz por parte do Irã tem sido rechaçada por líderes europeus e americanos, inclusive pelo próprio presidente americano. As declarações de Trump sobre o controle do estreito também lançam dúvidas sobre as afirmações do Comando Central dos EUA (Centcom), que ontem negou o domínio persa sobre a hidrovia.
Ao comentar a situação do país persa, Trump disse que a República Islâmica “não tem mais nada” e afirmou que os líderes iranianos são “negociadores profissionais”. O presidente também declarou que havia um acordo entre Washington e Teerã, mas que “eles romperam o tratado, como sempre fazem”.
Trump ainda destacou a ofensiva militar conduzida pelos EUA na noite anterior, afirmando que as forças americanas “atingiram o Irã com muita força”.
Ainda na entrevista, Trump comentou a política doméstica e afirmou que os Estados Unidos poderão enfrentar uma paralisação parcial do governo (“shutdown”) em setembro caso não seja encerrado o mecanismo do filibuster, regra do Senado que, na prática, exige 60 votos para levar a maioria dos projetos à votação.
Taxa de 20%
Trump ainda afirmou, nesta segunda-feira (13), que o governo americano será reembolsado à taxa de 20% sobre toda carga transportada no Estreito de Ormuz, devido aos “custos necessários” para fornecer segurança à via navegável. Os EUA também estão reinstaurando o bloqueio marítimo iraniano, que impede que navios ou clientes de Teerã entrem ou saiam no Golfo Pérsico, segundo ele.
Em post na Truth Social, Trump reafirmou que o Estreito de Ormuz está aberto e permanecerá assim “com ou sem o Irã”. “Os EUA serão, a partir deste ponto, conhecidos como ‘O GUARDIÃO DO ESTREITO DE ORMUZ‘, mas, como tal, e por questão de JUSTIÇA, serão reembolsados, à taxa de 20% sobre toda carga transportada“, escreveu o republicano.
Em uma postagem separada, Trump ainda defendeu que, em homenagem ao falecido senador Lindsey Graham, o Senado deveria aprovar o Clarity Act – um projeto de lei voltado à definição do marco regulatório para ativos digitais no país.
“A China, e muitos outros países, gostariam de assumir o controle completo e total deste grande ‘acontecimento’ financeiro, assim como da inteligência artificial (IA), onde estamos liderando, mas onde eles estão lutando arduamente. Não deixe a China vencer em nenhum dos assuntos!”, acrescentou.
*com informações da AFP e Estadão Conteúdo.






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