Cafeicultores investem mais de R$ 140 mil em monitoramento para proteger a produção no Sul de MG

Cafeicultores investem em monitoramento para proteger a produção no Sul de MG
Produtores de café do Sul de Minas têm investido em sistemas de monitoramento para reforçar a segurança nas propriedades rurais diante da preocupação com furtos e roubos de café e equipamentos. Mesmo com a redução dos crimes registrada nos últimos meses, cafeicultores afirmam que a sensação de insegurança permanece e tem motivado investimentos em tecnologia e ações coletivas de vigilância.
📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram
Em Três Pontas (MG), cinco produtores se uniram para instalar um sistema de monitoramento nas estradas que dão acesso às fazendas. O investimento ultrapassou R$ 140 mil e inclui três câmeras: duas voltadas para registrar a movimentação de veículos e pessoas e uma exclusiva para leitura de placas. O sistema emite um alerta sempre que um veículo não cadastrado passa pelo local, permitindo uma resposta mais rápida em caso de movimentações suspeitas.
Cafeicultores investem mais de R$ 140 mil em monitoramento para proteger a produção no Sul de Minas
EPTV/Reprodução
A produtora Adalgisa Miranda decidiu adquirir o equipamento após ser vítima de criminosos no ano passado. Segundo ela, os ladrões colheram o café diretamente dos pés durante a noite, sem que ninguém percebesse a ação.
Posteriormente, a propriedade voltou a ser alvo de criminosos, que invadiram a área onde fica o secador estático e furtaram parte do café armazenado.
"Foi uma surpresa. Não tinha nenhum grão de café no pé, eles apanharam durante a noite. E também tivemos um sinistro aqui dentro da propriedade (...) eles foram no secador estático, porque lá o café fica exposto, e retiraram o café por cima", relatou a produtora.
A produtora Adalgisa Miranda monitora a lavoura através de câmeras de segurança
EPTV/Reprodução
Produção recorde aumenta preocupação
A preocupação dos produtores cresce em um momento de safra expressiva. Minas Gerais deve colher mais de 33 milhões de sacas de café, volume cerca de 23% superior ao registrado na safra anterior.
O aumento da produção também eleva o valor econômico armazenado nas propriedades, tornando o setor mais atrativo para a ação de criminosos.
Minas Gerais deve recolher mais de 33 milhões de safras de café em 2026
EPTV/Reprodução
Apesar disso, os indicadores de segurança apresentaram melhora. Segundo dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), entre maio e setembro de 2025 foram registrados 1.066 furtos em imóveis rurais no Sul de Minas, número inferior ao do mesmo período de 2024.
Ainda assim, a região concentrou 26% de todos os furtos em áreas rurais registrados em Minas Gerais.
Os casos de roubo também diminuíram. A queda foi de 57% no Sul de Minas e de 38% em todo o estado.
Rede de produtores ajuda a identificar suspeitos
Mesmo com a redução das ocorrências, produtores afirmam que não relaxam na vigilância. O cafeicultor Roberto Rezende, que também já teve café furtado, participa de um grupo de WhatsApp criado para compartilhar informações sobre veículos suspeitos e movimentações incomuns na zona rural.
"Hoje temos delegacia especializada, Patrulha Rural e um grupo em que qualquer movimentação diferente é comunicada. Muitas câmeras conseguem identificar placas, que são repassadas para a polícia verificar se há alguma ocorrência relacionada. É um grupo bem unido", afirmou Roberto.
Além do investimento em tecnologia, especialistas recomendam medidas preventivas, como contratar trabalhadores de confiança, evitar manter café beneficiado armazenado por longos períodos nas fazendas e fortalecer a comunicação entre vizinhos para troca rápida de informações.
Forças de segurança no campo
Polícia Militar intensificou patrulha nas áreas agrícolas
EPTV/Reprodução
Em julho do ano passado, a Polícia Civil inaugurou a Delegacia de Repressão a Crimes na Zona Rural. Minas Gerais conta atualmente com 14 unidades especializadas, sendo oito instaladas no Sul de Minas.
Segundo a Polícia Civil, as investigações envolvem dois perfis principais de criminosos: quadrilhas especializadas, que muitas vezes vêm de outros estados para furtar tratores, máquinas e grandes cargas de café, e autores de crimes de oportunidade, geralmente pessoas que conhecem a rotina das propriedades e aproveitam momentos de menor vigilância para furtar equipamentos ou café no terreiro, no secador ou ainda nos pés.
A corporação afirma que atua tanto na repressão quanto na prevenção, em parceria com a Polícia Militar e guardas municipais, por meio de rondas, palestras e orientações aos produtores.
A Polícia Militar também intensificou o patrulhamento nas áreas agrícolas com equipes da Patrulha Rural, que direcionam as ações com base em estatísticas e nas demandas recebidas das comunidades.
Entre as estratégias adotadas estão o uso de drones e o projeto de cercamento digital. Apenas entre 2025 e 2026, mais de 100 câmeras foram instaladas em pontos estratégicos de áreas rurais para ampliar o monitoramento e auxiliar no combate aos crimes.
Para quem vive da cafeicultura, o prejuízo vai além da perda financeira.
"A gente nunca acredita que vai acontecer com a gente. É uma sensação de invasão, de perda do controle da propriedade. Você trabalha o ano inteiro, faz tantos sacrifícios para produzir e, quando acontece um furto, fica um sentimento de insatisfação total", desabafou Adalgisa.
Produtores de café investem em câmeras para evitar furtos e roubos
Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas




COMENTÁRIOS