Escola municipal é 'rebatizada' com nome de Adenilde Petrina, professora, radialista e referência no movimento negro em Juiz de Fora

Adenilde Petrina Bispo morreu aos 73 anos em Juiz de Fora
UFJF/Divulgação
A Escola Municipal Santa Cândida, no bairro de mesmo nome em Juiz de Fora, foi rebatizada e agora leva o nome de Adenilde Petrina, que foi professora, radialista e referência no movimento negro na cidade.
A alteração da denominação foi um projeto de autoria da vereadora Laiz Perrut (PT), aprovada na Câmara, e sancionada pela prefeita Margarida Salomão (PT) com publicação no Diário Oficial do Município desta terça-feira (10).
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp
Na justificativa do projeto, a vereadora Laiz Perrut informou que Adenilde fez de Juiz de Fora seu território de luta, afeto e resistência. "Sua trajetória foi marcada pela defesa dos direitos das populações periféricas, pela promoção da igualdade racial e pela democratização da comunicação. Acreditava na força da fraternidade, da solidariedade e da igualdade entre as pessoas", afirmou no texto.
De acordo com a legisladora, o legado de Adenilde permanece vivo nas comunidades, nas mulheres e em todos que acreditam que um mundo mais justo é possível.
"Adenilde dedicou sua vida à transformação social e ao fortalecimento das comunidades periféricas, inspirando gerações de educadores, artistas e militantes. Sua história e seu exemplo continuarão inspirando aqueles e aquelas que acreditam na transformação social por meio de uma política comprometida com o povo e com a cultura popular. Trata-se, assim, de uma homenagem não apenas justa, mas necessária, que celebra sua vida, sua obra e sua contribuição incomensurável para o fortalecimento das instituições e para o progresso de Juiz de Fora", afirmou Laiz Perrut na proposição.
Quem foi Adenilde Petrina
Referência na liderança comunitária e no movimento negro, Adenilde Petrina Bispo também atuou em Juiz de Fora como professora e radialista. Nos últimos anos, se destacou com as ações do Coletivo Vozes da Rua, com trabalho social junto aos jovens da periferia.
Adenilde tinha 73 anos e estava em tratamento contra um câncer de mama e morreu no dia 30 de outubro de 2025.
Nascida em Cachoeira do Campo, distrito de Ouro Preto, Adenilde Petrina se mudou para Juiz de Fora aos 12 anos. Em 1970, foi a primeira pessoa da família a entrar na faculdade, ao cursar Filosofia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
Em 1984, tornou-se professora de História na rede municipal de ensino, atuando em escolas do Centro e dos bairros Santo Antônio e Teixeiras, até se aposentar, em 2013. Durante muitos anos, trabalhou na Biblioteca da Igreja da Glória.
Durante 10 anos, entre 1997 e 2007, atuou na rádio comunitária 'Mega', do Bairro Santa Cândida, discutindo sobre direitos sociais, como acesso à saúde, saneamento básico, escola, transporte coletivo.
Adenilde Petrina é a idealizadora e responsável pelo Coletivo Vozes da Rua em Juiz de Fora
Coletivo Vozes da Rua/Divulgação
Após o fechamento da emissora, Adenilde participou da criação do Coletivo Vozes da Rua, difundindo a cultura negra e levando formação e informação aos jovens da periferia.
Em 2017, recebeu o título de Doutora Honoris Causa, concedido a personalidades, nacionais ou estrangeiras, cujas atividades, publicações ou descobertas tenham contribuído para o progresso da educação, das ciências, das letras ou das artes.
Em agosto, a trajetória de Adenilde foi contada no quadro 'Fala, Comunidade', que foi até o Santa Cândida ouvir a história de vida da moradora do bairro. Reveja abaixo.
Fala Comunidade: Conheça a história de uma professora que é referência no movimento negro
LEIA TAMBÉM
Quem era Adenilde Petrina, professora, radialista e referência no movimento negro em Juiz de Fora
Mulheres de Juiz de Fora e região que se destacam no Brasil e no mundo: Teste seus conhecimentos!
VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes







COMENTÁRIOS